fbpx

“The Crown”. Com quem está a coroa?

Compartilhe!

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter
Share on email

Houve um tempo que não era assédio um príncipe inglês casado cantar uma jornalista. Tempo que, como em toda época, é comum uma jornalista dar uma voltar em alguém poderoso. É um caso que conto agora.

Se você tem afinidade com os temas comunicação e política e não fez isso ainda, tire um tempinho para assistir a série The Crown (A Coroa) oferecida pela Netflix. A segunda temporada já está no ar. É a história biográfica do reinado da rainha Elizabeth II, que assumiu o trono em 1952 e reina ainda hoje. Ela está com 92 anos de idade e casada há 70 com o Philip, personagem do caso que conto: a imprensa e o poder. Jovem, ele estava em viagem pelo mundo. Quando chegou na Austrália, percebeu que uma jornalista acompanhava a comitiva e com ela trocou olhares. Na cerimônia, no final do percurso, os olhares ficaram mais quentes e intensos, percebidos pelo ajudante de ordens do Príncipe.

Na saída, depois de fazer um discurso que o ajudante de ordens elaborou para ser, na palavra dele, “genérico, a ponto de você poder decorar feito um papagaio”, o príncipe, com os olhos, fez o ajudante de ordens entender o interesse dele pela jornalista. Aconteceu o seguinte diálogo:  

– Helen King, tem 29 anos e escreve para o The Age…, ela quer ouví-lo, disse o ajudante de ordens.
– Então, vamos ouví-la.
– Pra quê?
– Para uma entrevista.
– Pensei que nesta viagem você não daria entrevistas
– Sim, mas no caso dela, estou disposto a fazer uma exceção. Viu como ela estava olhando pra mim?
– Vi.
– Acho que não estou delirando. Sabe como é o radar masculino. Sem dizer que ela nos seguiu por toda parte. Acho que é seguro supor que ela é amiga e não inimiga.

No meio da última frase, o príncipe dá um sorriso maroto.

O ajudante de ordens fez a vontade do príncipe. A jornalista não. A entrevista aconteceu. Um desastre!

O ator, Matt Smith, no papel do Príncipe, fez excelente papel. Ele consegue materializar na face todo o desenrolar dos sentimentos do personagem que representa.

Quando a jornalista entra no camarim, Philip dispensa o ajudante de ordens com o ar de conquistador vitorioso, imagem que fica com ele até a terceira pergunta. Dali por diante, as perguntas ficam delicadas sobre a vida pessoal do Príncipe. O semblante de conquistador dá lugar ao constrangimento, em seguida, à raiva e por fim a angústia, que fez Philip, com pressa, abandonar o local, deixando a jornalista para trás.

Na saída, Philip encontra o ajudante de ordens e avisa: “Nunca mais deixe que a vaidade me convença”. Uma aula para todos os políticos, gente dada a cair nas armadilhas da imprensa impulsionada pela vaidade.

A última pessoa com que você fala, quando conversa com alguém da imprensa é com esse alguém, que está diante de você só como veículo de uma mensagem que alcançará muita gente. A cena está no capítulo 2 do segundo episódio. Vale assistir.

Por Jackson Vasconcelos

Mais Publicações

Quer aprender mais sobre política?

Conheça nosso curso.