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A imprensa, essa coisa absurda.

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Uma semana antes do  segundo turno na eleição de 2022 para presidente, a Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ, distribuiu uma nota, que chamou de Carta Aberta aos jornalistas e ao povo brasileiro, para pedir votos para Lula. Com o título, “Eleger Lula para resgatar a democracia e os direitos da classe trabalhadora”, a FENAJ contorceu-se em frases de efeito para entregar um panfleto eleitoral em defesa da reserva de mercado para os jornalistas e a favor da permanência da Empresa Brasileira de Comunicação, EBC, que pertence ao governo federal e onde há cargos de confiança aos montes para jornalistas que desejam ganhar bem e gozar das regalias que os agentes do Estado Brasileiro gostam. 

Quando a Carta Aberta chegou ao distinto público, eu encerrava a leitura do livro,  “O Brasil” do jornalista Mino Carta e separei passagens do livro do Mino, que dizem sobre o que é e o que deveria ser a imprensa. Mino Carta conta: “A memória recua e me leva de avião a Nova York, ali faria meu primeiro estágio na Time-Life a mando da Abril em companhia do meu irmão, diretor editorial da empresa e diretor de redação da mensal Claudia, que havia fundado em 61. A bordo leio um texto escrito anos antes por um diretor do New York Times. Não peça ao profissional que ele seja objetivo, escrevia, por mais que se esforce será sempre subjetivo, ou seja ele mesmo, até ao depositar uma vírgula ao meio de um período. Peça, isto sim, que seja honesto ao informar seus leitores…” A Carta da Fenaj não é honesta, pois diz defender a candidatura do Lula para resgatar a democracia”. Nem é preciso ir longe para contestar, porque o fato de a FENAJ defender o voto no Lula ou em qualquer um que fosse demonstra que a democracia brasileira está por aqui ainda e, portanto, não precisa ser resgatada. A FENAJ diz também que o voto no Lula representa o resgate dos direitos da classe trabalhadora. Quais eles perderam em razão do governo Bolsonaro? Rigorosamente, nenhum, lamentavelmente. O Brasil está dividido entre os que trabalham com carteira profissional assinada. É isso que a FENAJ chama de direitos. E há os que trabalham sem carteira profissional, seja por preferirem assim, seja pelo fato de não sendo assim não existir emprego. Existem os que pagam os salários e direitos trabalhistas. Esses para a FENAJ, Lula e companhia não importam. Que se virem. Ora vejam. Se estes deixarem de existir, aqueles morrerão de fome, sem emprego e sem direitos trabalhistas. Certo? E quanto ao fato de Jair Bolsonaro ser um risco para a democracia, quem assim vê o caso deveria conhecer a peça de Shakespeare, Júlio César. O cara foi morto porque disseram que ele desejava ser imperador, quando ele não aceitou o convite feito três vezes a ele. Seus inimigos precisavam do argumento para se livrarem dele. 

Mas, fiquemos com Mino Carta. Vejamos os três princípios básicos traçados por ele para o jornalismo: “O jornalismo há de obedecer a três princípios básicos: a) fidelidade canina à verdade factual”. O conceito de verdade factual Mino Carta buscou na obra de Hannah Arendt. Verdade factual é a verdade incontestável e Mino exemplifica: ‘É como dizer que me chamo Mino “. b) “o exercício desabrido do espírito crítico” e c) “fiscalização destemida do poder onde quer que ele se manifeste”. 

Mino encerra: “Sobrou o desalento, inclusive a respeito do jornalismo brasileiro, cada vez mais medíocre, primário na técnica, uniforme na análise reacionária, provinciano até o ridículo, ancorado no pensamento único incapaz de uma percepção contemporânea do mundo, e mesmo assim arrogante, jactancioso, exibido(…). A mídia brasileira é única a seu modo, não conheço outra igual, e para entender o motivo da primazia basta observar que o profissional, o empregado, chama o patrão de colega”.  

Sobre a tal carta aberta, não preciso dizer mais. 

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