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Salim Mattar tem a receita de um bom governo.

A Petrobrás está, novamente, na berlinda. Agora, pelo aumento do preço dos combustíveis. Lula culpa Bolsonaro, que, para se livrar da culpa, substituiu o Ministro das Minas e Energia. O novo ministro, numa atitude de defesa prévia, promete privatizar a empresa. O Presidente sinaliza que topa, quando nunca topou. Ele diz que quer, porque, desse modo, recupera parte do discurso que fez em 2018, com bom resultado. Mas, no Brasil consciente, sabe-se que, tendo mais 4 anos ou não, o Presidente Jair Bolsonaro não realizará a proeza. A menos que…

Para entender o motivo, voltemos no tempo. Visitemos o dia quatro de janeiro de 2021. Vamos ao “Direto ao Ponto” da Jovem Pan News. Naquele dia, cinco jornalistas entrevistaram Salim Mattar e ele, ao esclarecer a razão de ter deixado o governo, mostrou as causas da enorme dificuldade que tem o projeto de privatização para caminhar minimamente no Brasil. 

Sintetizei as palavras do Salim: falta vontade política e convicção, tanto no Poder Executivo, como e, principalmente, no Congresso Nacional. Também na maioria do povo brasileiro, que não identifica uma relação de causa e consequência, entre o Estado grande e os problemas que enfrenta como sociedade. 

Na entrevista, Salim Mattar dividiu o povo brasileiro em duas categorias distintas: “cidadãos de primeira categoria e cidadãos de segunda”. Entre os de primeira categoria ele citou os 12 milhões de servidores públicos. Entre os de segunda, os 30 milhões com carteira assinada e 14 milhões de desempregados. 

Ora, quarenta e quatro milhões não seriam suficientes para conquistar uma mudança? Sem dúvida, mas ocorre que os cidadãos de primeira categoria  vendem bem o peixe que os alimenta: O ESTADO GORDO! Os que estão classificados na segunda categoria ou não têm quem consiga mostrar-lhes a relação de causa e consequência entre o Estado opressor e a sociedade faminta, ou sustentam-se nos privilégios que recebem dos cidadãos de primeira categoria. 

Falta quem lidere o processo de conscientização no meio do povo que soma maioria suficiente para enquadrar os servidores do Estado Brasileiro, sejam eles eleitos, concursados ou beneficiados com o dom da bajulação. 

Nesse sentido, o discurso do Salim Mattar está pronto. Ele questiona o Congresso Nacional, que pode ser quase totalmente trocado em outubro e defende a elaboração de uma nova Constituição, bandeira que, Salim lembra ser também uma proposta do Modesto Carvalhosa. 

Salim Mattar não deixou dúvida: o presidente pode querer privatizar, o ministro querer mais ainda e, enquanto o Congresso Nacional não quiser, nada acontecerá. Ele deveria dizer isso aos quatro ventos, todos os dias e de todas as formas, para que todos os liberais entendam, por definitivo, que é hora de aproveitar a oportunidade da eleição do Congresso Nacional para enquadrar o Estado Brasileiro. 

A entrevistadora Denise Campos de Toledo, de certo modo, sustentou a afirmação de Salim Mattar, ao citar a vontade política do Congresso Nacional no tempo de Fernando Henrique Cardoso, que conseguiu proezas na privatização da telefonia, da Vale do Rio Doce e da CSN…”Num tempo”, disse ela, “quando ainda não se tinha toda a aversão às empresas estatais criada pela corrupção desenfreada e pela operação Lava-Jato”. Denise  contrapôs o argumento na relação do Presidente Jair Bolsonaro com a privatização, ao citar o caso CEAGESP, que eu comentei quando ocorreu: https://www.aquitudoepolitica.com.br/?s=CEAGESP 

É horá de falar e pregar em todos os lugares e para todas as pessoas, a importância do voto para a composição do Congresso Nacional. Salim Mattar fez uma previsão que se pode antecipar. Disse ele que em 2026, teremos uma bancada de deputados federais e senadores formada com um número suficiente de liberais para mudar o jogo. É possível fazer isso em 22! Eu acredito! 

Boa semana. 

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“Acabou a desculpa”

“Acabou a desculpa”. A frase é do líder do Partido Novo na Câmara dos Deputados, Vinicius Poit, registrada no Boletim da Liberdade, edição de terça-feira, que também tem a declaração de outro deputado federal do mesmo partido e igualmente, de São Paulo, Alexis Fonteyne. 

Os dois desejam que, retirado de cena o deputado federal Rodrigo Maia,  o Congresso Nacional vote as reformas e destrave as privatizações. A expectativa deles é que isso ocorra com velocidade, uma vez que o Presidente da República fez “barba, cabelo e bigode”, na eleição para as Mesas do Congresso Nacional. 

Nas palavras do deputado Vinicius há um certo tom impositivo à dúvida: “Até aqui, o governo reclamou das pautas empacadas pelo Congresso. Esperamos que os presidentes eleitos pautem as matérias importantes, porque são necessárias e não por troca de cargos ou emendas”. Já Alexis dá às palavras mais certeza e apelo: “Que venham as reformas tributária, administrativa, a PEC dos Fundos, a PEC Emergencial, a autonomia do Banco Central e as privatizações”. 

Será que agora vai?  É mesmo possível que as expectativas se cumpram só pelo fato de o Presidente da República ter vencido a eleição para as presidências das Mesas do Congresso Nacional? 

Para responder à desconfiança, na sexta-feira, o Ministro da Economia, Paulo Guedes e os novos presidentes das Mesas do Congresso Nacional convocaram a imprensa e garantiram que desta vez a pauta será vencida. 

Contudo, simplesmente vencê-la, pode representar coisa alguma, porque para concretizar o que ela propõe de diferente e moderno, será necessário ter os votos favoráveis nos plenários da Câmara e do Senado, até para derrubar, se for o caso,  possíveis vetos do Presidente da República. A gente sabe que ele suportaria bem uma reforma tributária, mas tem reagido com veemência à administrativa e às privatizações. Vejam os casos CEAGESP e Banco do Brasil, já comentados por mim aqui neste espaço. 

Churchill disse certa vez: “desprezo regozijos prematuros e não me entrego a previsões otimistas. Não devemos, repito, relaxar nem sequer por um instante”. O alerta está no Discurso sobre a situação da guerra, proferido no dia 30 de setembro de 1941. 

As palavras de Churchill se encaixam bem ao momento brasileiro, uma vez que o debate e votação da pauta será uma guerra. A esquerda não deixará isso correr sem resistência, e ela está bem representada no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e na imprensa. O movimento pelo impeachment recebeu novo argumento. Agora, é tudo ou nada, porque a esquerda sabe que vencida a pauta, estará perdida a eleição de 2022. Sendo reeleito Jair Bolsonaro ou outro qualquer, porque a esquerda ficaria fora do jogo. 

Por isso, é hora dos liberais deixarem de lado a agenda do impeachment e reforçarem as fileiras de defesa das reformas e privatizações. Querer o impeachment nesse momento é fazer o jogo da esquerda, socialistas, comunistas e outros tais. E, se o presidente Jair Bolsonaro não for mais nossa opção para 2022, busquemos uma, na ocasião acertada. É o que eu tenho defendido. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Guedes, o “João Bobo”

Guedes versus Bolsonaro é a luta do século. Na plateia, estão os apostadores da esquerda e os liberais. Está sendo uma luta e tanto! No mercado infantil há “João-Bobo” para todos os gostos. A brincadeira consiste em bater no boneco e ele, por mais que seja inclinado ou leve pancadas, voltará a ficar de pé. 

Na semana passada, Guedes tomou outra porretada do presidente, mas continua de pé. Jair Bolsonaro, de público, como gosta de fazer, repreendeu o presidente do Banco do Brasil, porque o cara resolveu presidir o banco. Afinal, entende Bolsonaro que para presidir qualquer coisa no Brasil, só há uma pessoa: ele. 

O que fez o presidente do Banco do Brasil de tamanha gravidade? Resolveu reduzir o quadro de funcionários e agências num mundo de alta tecnologia como, aliás, a empresa fez várias vezes e numa delas, eu aproveitei para sair. Definitivamente, eu não suporto o Estado Brasileiro. Isso, contudo, é uma outra questão. 

Jair Bolsonaro sentiu o cheiro de uma privatização e é alérgico. O mesmo aconteceu no caso CEAGESP, que já comentei aqui. E, acontecerá sempre nas medidas que possam levar à privatização das empresas e corte dos tentáculos do Estado Brasileiro. Empresas que a esquerda diz pertencerem ao povo, para continuarem a usufruir delas sem o povo. Mesmo conceito usado por Jair Bolsonaro. 

A decisão do Presidente da República agradou, imediatamente, ao desejo dos funcionários do Banco (tomara que nem de todos) e os sindicatos, territórios do PT e do PSOL. Agora, se sabe que são, também, dos sem partido, como acontece com o Presidente da República. 

Jair Bolsonaro sofre de “saudades”. Ele incorpora, sempre que pode, o Brasil grandioso dos generais, que nem mais generais são. As decisões do Presidente da República são um aviso para os liberais: “Encontrem outro presidente, se vocês quiserem mesmo um país para o povo e não para as corporações”. Está, portanto, lançado o desafio. 

Já sem muitos argumentos para defender o “mito dos liberais”, seus defensores andam a se socorrer do passado. Tenho ouvido demais a frase: “Você preferia ter Fernando Haddad ou Lula?”. Respondo de pronto: “De jeito nenhum”, mas quem anda pra trás é caranguejo, irmão,  e eu não sou um deles. Posso avançar para além de Jair Bolsonaro. Só preciso de um nome. 

Será, porventura, um candidato dessa tal coalizão que andam a falar por aí? Até pode ser, mas que não seja um dos nomes que na coalizão já estão. Maia, Fernando Henrique Cardoso, Serra, Luciano Huck e outros tais são iguaizinhos a Bolsonaro quando o tema é a sobrevivência das corporações e do tamanho do Estado. Quero alguém que compreenda que o Brasil precisa sair das amarras do Estado ineficiente, arrogante e caro, para seguir em frente. 

Eu ainda não sei se fiz o certo, mas filiei-me ao Partido Novo, porque me aproximei dele na campanha do Fred Luz para a Prefeitura do Rio e senti o perfume dos liberais. Se eu estiver errado, o meu coração já está acostumado aos erros de avaliação. Paciência! O PFL, aquele partido que morreu em nome do projeto político dos Maias e Kassabs, tinha me parecido um bom caminho. Deixou de ser e mudou de nome e para enganar os menos avisados. Agora são Democratas e Partido Social Democrático (PSD). 

É hora de os liberais buscarem  nomes e isso é urgente. Com a licença de vocês, dou um corte, conveniente para as minhas alegações, num parágrafo longo do livro  “A rebelião das massas, de Ortega e Gasset:

O característico do momento é que a alma vulgar, sabendo-se vulgar, tem a audácia de afirmar o direito à vulgaridade e o impõe em toda parte. A massa sufoca tudo que é diferente, magnânimo, individual, qualificado e seleto. Quem não for como todo o mundo, quem não pensar como todo o mundo, corre o risco de ser eliminado. E está claro que esse “todo o mundo” não é “todo o mundo”. “Todo o mundo” era, normalmente, uma unidade complexa de massa e minorias discrepantes, especiais. Agora, “todo o mundo” é tão somente a massa. 

Para situar, o livro é de 1930. E para que a gente não se deprima, estamos numa democracia onde o voto pode valer mais se os nomes certos chegarem à disputa. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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“Um ninho de ratos”

A minha ignorância ainda me causará problemas sérios. Mas, vou peleando mesmo com ela. Vejam vocês agora o caso da Ceagesp. Ela é uma empresa gigante. É o maior conjunto de armazéns da América Latina e eu não sabia disso. Santo Deus! Quanta informação importante eu perdi até o dia em que parei para ouvir os discursos do capitão Jair Bolsonaro, Presidente da República e do Coronel PM, Mello Araújo, nomeado pelo capitão, presidente da empresa. Eles falaram bonito que só, na sede da Ceagesp. 

Eu tinha a obrigação de conhecer a empresa, afinal ela está arrolada como patrimônio do povo brasileiro e eu sou parte dele. Ela é, segundo o Coronel PM, “uma potência do agronegócio”.  “O maior entreposto da América Latina!”. E eu não me sentia dono de tudo isso. 

A Ceagesp atende a 1.500 municípios brasileiros e a 22 países diferentes. Por ela, transitam, por dia, 50 mil pessoas, que fazem do negócio uma empreitada de 11 bilhões de reais por ano. Quatro mil toneladas de alimentos passam por lá antes de chegarem à mesa das brasileiras e brasileiros. De chegarem à minha mesa! Olhem que coisa! 

O lugar onde está a Ceagesp é tão importante que tem uma torre de identificação. A torre precisava de reformas e elas aconteceram finalmente. A placa de bronze na entrada da torre teria o nome do capitão Bolsonaro gravado, mas a cruel lei brasileira não permite homenagem à gente viva. O presidente da Ceagesp, então, optou por uma gratidão sútil: mandou cunhar na placa de bronze, a imagem da cicatriz que o presidente carrega no abdômen, consequência da facada que ele recebeu na campanha. 

A Ceagesp que é minha e sua também, faz caridade. Isso eu não sabia e acredito que você de igual modo.  Por decisão do coronel nomeado pelo capitão, a empresa não desperdiça mais alimentos e com a sobra deles, em apenas 50 dias, 51 toneladas foram entregues, de graça, aos pobres e foi desenvolvida uma vitamina que o Presidente da República experimentou no palanque, como prêmio pelo discurso duro e sagaz. O capitão viril quis saber sobre a presença de “aditivos” na composição da vitamina. Foi engraçado! O capitão tem bom humor. 

Ao saber de tudo isso, fiquei feliz com o discurso do Presidente da República, na parte em que ele afirmou: “E aqui, quando se fala em privatização…quero deixar bem claro…enquanto eu for presidente da república, essa é a casa de vocês. Nenhum rato vai sucatear isso aqui pra privatizar pros amigos. Não tem espaço pra isso aqui. Deixo bem claro”. 

Mas, calma lá. Quando o presidente fala que a Ceagesp é a “casa de vocês”, eu estou incluído? Sacudi a cabeça para expulsar o mal pensamento e continuei a ouvir o Presidente. Ele disse mais. “Aqui é um ninho de ratos. Aqui extorquem e achacam os mais humildes. Aqui existem máfias. A máfia de roubo de caixotes, a máfia dos boxes, a máfia da limpeza e a máfia do lixo”. E gritou bem alto: “É inadmissível um entreposto como esse estar nas mãos de político que se usa disso…” Aplaudi de pé! 

Antes de ouvir o presidente, ouvi o Coronel PM. Depois de me emocionar com o capitão, voltei ao Coronel. Fiquei num ir e vir extasiado! Ele, coronel,  disse:   “A Ceageap era uma cidade judiada ao longo dos anos. A corrupção imperava, o errado era o certo e a honestidade foi esquecida”. 

Onde eu estava com a cabeça, enquanto destruíram a minha empresa e acumularam, em meu nome, 60 milhões de reais em dívida crescente? Aprendi a lição e agora estou tranquilo, porque o capitão e o coronel estão de olho nas máfias e nos políticos que tomaram a Ceagesp de assalto. 

Peraí! E quando o capitão não for mais o presidente e o coronel, leal a ele, não estiver mais lá. Quem tomará conta daquilo? Eu não terei tempo pra isso. Posso até ajudar, quando for votar para presidente, mas será que ele fará o que eu quero? Não é essa a rotina. 

Eu paro e penso. Paro, penso e faço um apelo ao meu presidente capitão: Não me saia daí sem vender essa minha empresa. Pelo menos essa. Se tiver tempo, venda outras, mas, caso não, venda pelo menos essa. 

Por favor, presidente, peça – peça não – dê uma ordem clara ao Ministro Guedes, esse cara que não vende uma agulha do governo, para vender a Ceagesp. Ele não precisa me mandar a minha parte. O senhor pode usá-la como quiser, só não a utilize na compra de outra empresa, porque são poucos os coronéis com disposição para colocar ordem nas empresas que o governo domina e diz que são minhas. 

Bem gente, se queremos que o processo de privatização saia do papel, é hora de colocar algumas pessoas numa sala de aula e num quadro negro expor, um por um, todos os motivos que justificam as vendas. Um deles está no final do discurso que o presidente capitão fez na Ceagesp. Ele disse, num tom de campanha: “O Brasil é nosso! A Ceagesp é de vocês”. Ou seja: os donos do Brasil somos todos nós brasileiras e brasileiros, mas a Ceagesp nem de todos nós é. Se for necessário ser mais claro, pedirei ao presidente que desenhe. 

É hora de partir pra dentro das privatizações antes que os capitães e coronéis bonzinhos saiam do poder. Concordam? 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos